Mitos e factos sobre fertilidade: Em que é que pode realmente confiar?

Mitos e factos sobre fertilidade: Em que é que pode realmente confiar?

A fertilidade é um tema que desperta esperança, ansiedade e, muitas vezes, confusão. Quando um casal decide tentar engravidar, é comum receber conselhos de familiares, amigos ou até de fóruns online — mas nem tudo o que se ouve corresponde à realidade. Nesta artigo, desmistificamos algumas das ideias mais comuns sobre fertilidade e explicamos o que a ciência realmente diz.
Mito 1: Pode engravidar em qualquer dia do ciclo menstrual
Um dos equívocos mais frequentes é acreditar que a mulher pode engravidar em qualquer momento do ciclo. Na verdade, a fertilidade feminina está concentrada num curto período em torno da ovulação — que ocorre, em média, 14 dias antes da menstruação seguinte.
O óvulo pode ser fecundado até 24 horas após a ovulação, mas os espermatozoides podem sobreviver no corpo da mulher até cinco dias. Assim, relações sexuais nos dias anteriores à ovulação também podem resultar em gravidez. Conhecer o próprio ciclo e, se necessário, recorrer a testes de ovulação pode ajudar quem está a tentar conceber.
Mito 2: A idade só conta para as mulheres
É verdade que a fertilidade feminina diminui significativamente com a idade — sobretudo após os 35 anos —, mas a idade masculina também tem impacto. A qualidade do esperma tende a decrescer com o tempo, e o risco de alterações genéticas aumenta, o que pode afetar tanto a probabilidade de gravidez como a saúde do bebé.
Embora os homens possam ter filhos em idades mais avançadas, a fertilidade do casal é geralmente maior quando ambos têm menos de 35 anos. Isso não significa que seja impossível mais tarde, mas pode exigir mais tempo e acompanhamento médico.
Mito 3: O stress impede a gravidez
O stress é frequentemente apontado como um obstáculo à conceção. Embora o stress crónico e intenso possa interferir com o equilíbrio hormonal e afetar a ovulação, não há provas de que o stress quotidiano, por si só, impeça uma gravidez.
Ainda assim, o stress pode influenciar o bem-estar geral, o sono e a relação do casal — fatores que, indiretamente, dificultam o processo. Por isso, é importante encontrar formas de relaxar, como praticar exercício físico, meditar ou procurar apoio psicológico.
Mito 4: Ficar deitada com as pernas para cima ajuda a engravidar
Este é um dos conselhos mais antigos e persistentes, mas não tem base científica. Os espermatozoides deslocam-se rapidamente em direção ao útero, e a maioria chega ao destino poucos minutos após a ejaculação.
O essencial é que a relação sexual ocorra durante o período fértil, não a posição em que se fica depois. Se for confortável permanecer deitada por alguns minutos, não há problema — mas não é uma condição necessária para engravidar.
Mito 5: Um estilo de vida saudável garante fertilidade
Ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício e evitar o consumo excessivo de álcool e tabaco são hábitos que favorecem a fertilidade, mas não a garantem. Fatores como a idade, a genética e certas doenças também desempenham um papel importante.
Nas mulheres, o peso corporal demasiado baixo ou elevado pode afetar a ovulação; nos homens, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool podem reduzir a qualidade do esperma. Um estilo de vida saudável aumenta as probabilidades, mas não elimina todas as limitações biológicas.
Mito 6: Se não engravidar em poucos meses, há um problema
É normal que demore algum tempo até ocorrer uma gravidez. Mesmo em casais saudáveis, a probabilidade de engravidar num único ciclo é de cerca de 20 a 25%. A maioria dos casais consegue engravidar dentro de um ano, mas, para alguns, o processo é mais demorado sem que exista necessariamente uma causa médica.
Os especialistas recomendam procurar aconselhamento médico se, após um ano de tentativas, não houver resultados — ou após seis meses, se a mulher tiver mais de 35 anos. Uma avaliação de fertilidade pode identificar eventuais fatores que possam ser tratados ou acompanhados.
Mito 7: Os tratamentos de fertilidade resultam sempre
Os tratamentos de fertilidade, como a fertilização in vitro (FIV), são uma ajuda valiosa, mas não garantem o sucesso. As taxas de gravidez variam consoante a idade, a causa da infertilidade e o tipo de tratamento. Em mulheres com menos de 35 anos, a taxa de sucesso por ciclo de FIV ronda os 30 a 40%, diminuindo com a idade.
É importante ter expectativas realistas e receber aconselhamento adequado antes de iniciar o processo. Muitos casais necessitam de mais do que um ciclo de tratamento, e alguns optam por complementar com mudanças de estilo de vida ou terapias alternativas — embora estas últimas não tenham eficácia comprovada.
Distinguir mitos de factos
A fertilidade resulta de uma combinação complexa de fatores biológicos, emocionais e de estilo de vida. Os mitos surgem muitas vezes da necessidade de encontrar explicações e controlo num processo que pode parecer imprevisível. A melhor estratégia é procurar informação fiável, conversar abertamente com o médico e lembrar que cada caso é único.
Saber distinguir entre mitos e factos não garante uma gravidez mais rápida, mas ajuda a tomar decisões mais informadas e a enfrentar o caminho com serenidade e realismo.










